CICLO LUNAR DE INVERNO
Lua Cheia da Integração
a lenda das treze matriarcas
Antes de qualquer nome que os livros deram, havia mulheres sentadas em círculo. Anciãs Kiowa, Cherokee, Iroquois, Seneca, passando adiante, nas Tendas Lunares, o que só se aprende ouvindo: a lenda das Treze Mães.
Treze porque são treze as lunações de um ano.
Treze mulheres-força, guardando cada uma um pedaço da mesma verdade — beleza, poder, mistério, a força que não precisa gritar para existir.
A lenda diz que o primeiro mundo foi destruído. Não por acaso, por ganância, por competição, por um jeito de viver que afastou a Terra do seu próprio eixo.
E foi para reequilibrar isso que a Mãe Cósmica (Terra e Lua, no mesmo corpo) deixou um legado guardado onde sempre esteve mais seguro: no coração das mulheres.
Cada Matriarca carregava no ventre a capacidade de sonhar, e no coração, a visão. Juntas formaram um conselho.
A Casa da Tartaruga, porque é o casco da tartaruga, com seus treze segmentos, que guarda o calendário lunar.
Quando voltaram para dentro da Terra, não foram embora de verdade: deixaram treze crânios de cristal, sabedoria condensada, esperando quem tivesse ouvidos para escutar.
Essa é a raiz da Irmandade que atravessa os ciclos: mulheres ligadas por sangue lunar, com uma missão que começa pequena e íntima, curar a si mesma antes de tentar curar qualquer outra pessoa.
Porque não tem intervenção nenhuma que se sustente numa ferida ainda aberta.
Enquanto a gente não olha pra dentro, a dor vira competição, vira controle, vira aquele jeito de disputar espaço que a gente aprendeu observando o mundo masculino e que nunca foi o nosso caminho.
O convite das Treze Mães é outro: honrar o corpo, escutar a mente, validar o que sente.
Só existindo em equilíbrio é que a mulher consegue, de fato, sonhar e sonhar é o primeiro passo para qualquer coisa se realizar.
E quando isso acontece quando uma mulher se autoriza a voltar para si ela não fica quieta com isso.
Ela fala a sua verdade. E aí, sim, a harmonia que perdemos lá no primeiro mundo tem chance de voltar.
Inspirado na lenda das Treze Matriarcas, registrada por Mirella Faur em "O Anuário da Grande Mãe".
O que essa lenda nos conta
Quando leio a lenda das Treze Matriarcas, não consigo separá-la da memória de Tiamat.
Nas profundezas da mitologia mesopotâmica, Tiamat emerge como a Mãe Primordial, o Caos Criador e a Dragão Cósmica.
Ela personifica o oceano salgado e as forças indomáveis que precedem a ordem e a criação. O arquétipo de Tiamat nos confronta com a potência bruta da natureza, a origem de tudo e o perigo do caos descontrolado.
Talvez o Primeiro Mundo de que fala a lenda seja justamente essa memória de um tempo anterior à nossa forma atual de existir.
Um mundo que algumas tradições associam a Lemúria, a Atlântida ou a outras civilizações perdidas.
Não precisamos decidir se esses mundos existiram literalmente.
Podemos simplesmente escutar o que eles representam.
A memória de uma humanidade que se afastou do equilíbrio.
E é aí que as Treze Matriarcas ganham outro sentido.
Treze lunações.
Treze mulheres.
Treze partes de uma sabedoria que, na verdade, pertence a um mesmo corpo.
A lenda diz que esse conhecimento foi guardado.
Eu gosto de pensar que ele não foi guardado em algum lugar distante.
Foi guardado em nós.
No corpo.
Nos ciclos.
Nos sonhos.
Na intuição.
Naquilo que sabemos antes mesmo de conseguir explicar.
Por isso, o caminho das Treze não é aprender a ser uma mulher que ainda não somos.
É lembrar.
Lembrar o que foi fragmentado.
Reunir o que ficou separado.
Reconhecer as partes que aprendemos a esconder para caber no mundo.
E talvez seja justamente essa a passagem entre o Primeiro Mundo e a Nova Aurora.
Não voltar para aquilo que fomos.
Mas recuperar a inteireza que existia antes da fragmentação.
Tiamat nos pede integração.
E talvez as Treze Matriarcas também.
A cada Lua, uma parte da memória retorna.
Uma porta se abre.
E, pouco a pouco, aquilo que parecia perdido começa a se reunir novamente.
Não para que sejamos iguais às mulheres de um mundo antigo.
Mas para que possamos descobrir o que, em nós, nunca deixou de existir.
O ciclo das 13 luas
Lidos em sequência, os títulos treze matriarcas não são apenas nomes de lua. Eles contam a história de um ano inteiro da Terra (e, por espelhamento, de qualquer ciclo de vida):
nasce > se purifica > planta > cresce > floresce > se movimenta > atinge o auge > colhe > migra > solta > recolhe-se > e transcende.
Cada capítulo abaixo carrega essa passagem de bastão para o seguinte.
Qual a matriarca do seu signo?
Antes de tudo, é importante compreender que as 13 Matriarcas da Lua não têm origem na astrologia. O sistema é inspirado em tradições e simbolismos de povos indígenas norte-americanos.
Por isso, quando falamos da Matriarca da Lua do seu signo, no referimos a uma chave simbólica de correspondência:
Dimensão individual:
um espelho dos seus talentos
Dimensão cíclica:
Em que momento do ciclo estou?
Ou o ano está?
Dimensão guardiã de uma força da natureza:
qualidade que pode ser evocada, observada ou integrada durante aquela passagem
- E se nenhuma versão de mim precisasse ser rejeitada para que eu pudesse ser inteira?
- Posso acolher a menina, a jovem e a mulher que sou exatamente como elas são?
- Quanto da minha força nasceu das partes de mim que um dia tentei esconder?
- O que acontece quando todas as minhas versões finalmente pertencem ao mesmo coração?
- E se cada experiência fosse apenas uma expressão diferente da mesma alma aprendendo?
- Que energia permite integrar minhas luzes e minhas sombras sem precisar escolher entre elas?
- Quanto mais inteira me torno quando deixo de lutar contra quem fui?
- Posso reconhecer que todas as mulheres que viveram em mim ainda têm algo a oferecer?
- E se a integração fosse simplesmente o fim da separação dentro de mim?
- Universo, mostra-me como caminhar em paz com toda a minha história.